Sessão I: Novas perspetivas sobre caminhos de ferro portugueses
Organizadores: Ana Cardoso de Matos (Universidade de Évora); Hugo Silva Pereira (Universidad Nova de Lisboa); y Magda Pinheiro (ISCTE-IUL)

A investigação sobre a história dos caminhos de ferro portugueses tem dado passos vigorosos nas últimas décadas, dando seguimento aos esforços académicos empreendidos na década de 1980. Mais recentemente, as ferrovias construídas ou financiadas por agentes portugueses nas antigas colónias nacionais de África e Ásia mereceram também o interesse da academia. No entanto, em virtude de uma disponibilização mais facilitada de novos acervos documentais (textuais, estatísticos, iconográficos, etc.) e do desenvolvimento de novos conceitos e abordagens metodológicas (algumas das quais abrangendo disciplinas diferentes), é possível revisitar o conhecimento histórico anterior e produzir novo conhecimento sobre aspetos não tratados da história da ferrovia portuguesa. Esta Sessão tem precisamente como objetivo acolher propostas que analisem processos não-estudados da história do caminho de ferro em Portugal e no seu antigo Império ou que reinterpretem questões abordadas anteriormente por outros autores.

Sessão II. Fronteira e caminhos de ferro
Organizadores: Rafael Barquín (UNED); Carlos Larrinaga (Universidad de Granada); Pedro Pablo Ortúñez (Universidad de Valladolid)

A construção da rede ferroviária na Europa fez-se a partir de agendas nacionais. Imediatamente após o assentamento das primeiras linhas, os Estados adotaram um maior protagonismo no financiamento e planeamento das redes. Contudo, rapidamente a natureza do caminho de ferro como um meio de transporte de âmbito nacional se mostrou inadequada. Os mercados nacionais de bens e serviços foram incapazes de dar resposta às crescentes necessidades económicas dos países. Para lá das fronteiras abriam-se novas oportunidades de negócio. O envolvimento internacional de grandes grupos económicos como os Rothschild favorecia o estabelecimento de sinergias entre redes nacionais. Por outro lado, muitas regiões fronteiriças eram especialmente dinâmicas graças ao desenvolvimento de certas indústrias, de modo que a fronteira era, mais do que uma barreira, um motivo adicional para ampliar a rede ferroviária.

Nesta Sessão, acolhemos a apresentação de comunicações que tenham como objetivo o planeamento das redes ferroviárias internacionais e/ou o intercâmbio transfronteiriço de mercadorias e serviços através do caminho de ferro. Exemplos do tipo de trabalhos que nos interessam são: 1º estudos sobre projetos e realizações ferroviárias. 2º estudos sobre a atuação dos grandes interesses capitalistas no planeamento de redes internacionais. 3º estudos sobre as consequências das linhas férreas transfronteiriças sobre os setores económicos nacionais ou no desenvolvimento de regiões fronteiriças. 4º estudos sobre as consequências que as mudanças de fronteira tiveram sobre o transporte ferroviário e as economias nacionais. 5º em geral, qualquer investigação que aborde a problemática da interação entre a ferrovia e a fronteira. O contexto preferido da análise é a Europa, mas estamos abertos a considerar análises sobre outros continentes.

Sessão III. As viagens dos diretores e técnicos: uma forma de transferência de conhecimento
Organizador: Miguel Muñoz Rubio (Fundación de los Ferrocarriles Españoles)

Dada a dependência que caracterizou o caminho de ferro ibérico, foi habitual, desde a sua origem, que os diretores e técnicos das companhias ibéricas realizassem viagens aos países que lideravam o desenvolvimento deste meio de transporte, para conhecer os sistemas organizativos e as tecnologias mais avançadas e poder, assim, tomar as suas próprias decisões ou importá-las.

Apesar da importância que estas viagens tiveram, já que muitas delas deram lugar a decisões muito importantes, como a escolha das locomotivas do primeiro caminho de ferro ibericos ou a implementação dos sistemas de Organização Científica do Trabalho nas oficinas da Renfe, a nossa historiografia praticamente não as tem tratado.

O objetivo desta Sessão é fazer uma aproximação a esta forma de transferência de conhecimento, chamando a apresentação de comunicações sobre casos concretos de viagens que abordem: os seus motivos; a sua descrição; o conhecimento recolhido, geralmente em cadernos ou relatórios; e suas aplicações práticas, se existiram.

Sessão IV. O transporte terrestre de mercadorias: complementaridade e concorrência entre o caminho de ferro e a estrada (séculos XIX-XXI)
Organizador: José Luis Hernández Marco (Universidad del País Vasco/EHU, jubilado)

Exceto em regiões com infraestruturas fluviais navegáveis, até ao aparecimento do caminho de ferro as mercadorias eram transportadas por terra exclusivamente às costas de pessoas ou animais ou carregadas em veículos puxados por bois, cavalos ou mulas. Se os caminhos de ferro assumiram desde muito cedo o transporte de mercadorias (e passageiros) a média e longa distância, de cidade para cidade, de região para região e entre os portos e o interior, o crescimento dos intercâmbios provocado pela industrialização e as características das redes ferroviárias aumentaram a necessidade de transporte de pessoas e mercadorias entre as estações e seus hinterland urbanos, semiurbanos e rurais, ou seja, a curta distância, uma vez que aumentou enormemente a procura e oferta daquele transporte adicional. O desenvolvimento da tração elétrica, dos transvias urbanos e o crescimento da rede ferroviária dos arredores suburbanos das cidades incidiu significativamente nos modos tradicionais de transporte de pessoas no âmbito urbano. Desde antes da Primeira Guerra Mundial em algumas regiões americanas e depois numa boa parte da Europa, o primitivo desenvolvimento do automóvel e dos veículos ligeiros e pesados para transportar pessoas e mercadorias começou a competir com êxito no mercado de transporte de curta distância. Depois da Segunda Guerra Mundial, os desenvolvimentos tecnológicos na indústria automobilística e as melhorias no planeamento de estradas e autoestradas levaram a que o automóvel se convertesse no meio de transporte principal para o movimento de mercadorias, particularmente as de maior valor unitário ou perecibilidade, também a média e larga distância. No entanto, o espetacular crescimento do uso do contentor, cisternas e reboques completos desde os inícios da estandardização nos anos 60 do século XX, tanto no transporte nacional como no transporte internacional de mercadorias, juntamente com o desenvolvimento da logística, abriu novas possibilidades de complementaridade ao transporte intermodal de mercadorias.

O objetivo desta Sessão é a apresentação e discussão de comunicações sobre a convivência da ferrovia com outros modos terrestres de transporte de mercadorias, desde o século XIX à atualidade, que permitam ou abordem uma história comparada internacional, que interesse tanto aos historiadores do caminho de ferro e dos transportes como aos historiadores de campos mais variados.

Sessão V. Caminho de ferro e cidade. Impacto das infraestruturas ferroviárias no desenvolvimento urbano das cidades da Península Ibérica
Organizadores: Jordi Martí Henneberg (Universitat de Lleida); Eduardo Olazabal ( Universitat de Lleida); Maria Ana Bernardo (Universidade de Évora)

As perguntas que estruturam esta Sessão são as seguintes:

Como se desenvolveram as cidades e como se transformou a circundante urbana desde que as estações ferroviárias entraram em funcionamento? Que particularidades podemos identificar em cada uma delas em relação ao conjunto de casos estudados? Consequentemente, o objetivo desta Sessão é determinar as circunstâncias em que o caminho de ferro contribuiu para transformar o espaço urbano das cidades da Península Ibérica. Discutir-se-ão também outros países que possam ser usados como referência.

A rede ferroviária assegurou uma rápida interconexão entre as principais cidades ibéricas a partir da segunda metade do século XIX, um período em que as urbes começaram a superar o isolamento criado pelas muralhas medievais. Em resultado, tanto a localização da estação como o traçado das linhas foram elementos-chave para o desenvolvimento urbano posterior. As fontes e metodologias utilizadas para este tipo de análise podem ser variadas e permitem abordagens de diferentes disciplinas: história económica, urbanismo, arquitetura, engenharia civil, geografia, humanidades digitais, entre outras.

Para facilitar este tipo de estudos e sua posterior difusão, serão especialmente recebidas as comunicações que incluam a digitalização de documentos históricos, já que estes abordam documentação que permite interpretar a relação entre espaço urbano e as estações, concebidas como as novas portas da cidade a partir do século XIX.

Sesión VI. Jovens Historiadores e novas perspetivas sobre a história dos caminhos de ferro ibero-americanos
Organizador: Magda Pinheiro (ISCTE-IUL) e Javier Vidal Olivares (Universidad de Alicante)

Com esta Sessão pretende-se criar um espaço aberto à discussão de novas investigações sobre a história da ferrovia, o sistema ferroviário e seus diferentes impactos, desenvolvidas por jovens investigadores dos dois países.
Recentemente houve um novo interesse de jovens investigadores pela história dos caminhos de ferro. Os novos interesses contemplam novos enfoques conceptuais, novas metodologias de investigação e tratamento de dados, novos documentos e/ou o estudo de novas áreas geográficas.

Entre os novos conceitos destacam-se o estudo das culturas das instituições técnico-científicas ou sociotécnicas associadas à construção ferroviária. Nas metodologias, destacam-se as que utilizam Sistemas de Informação Geográfica. Entre os documentos, realce-se o estudo de mapas, a planimetria ferroviária e o recurso sistemático às imagens como elementos de suporte histórico.

A Sessão oferecerá um espaço de discussão em todos estes temas e em outros que eventualmente se possam incorporar no debate sobre investigação ferroviária, realizada por investigadores juniores no âmbito ibérico.

Sessão VII. Geral
Organizador: Francisco Polo Muriel (Fundación de los Ferrocarriles Españoles)

Além das Sessão indicadas anteriormente, o VIII Congresso de História Ferroviária pretende servir de palco para a discussão e divulgação de estudos e investigações sobre assuntos não abordados naquelas Sessão. Assim, a Sessão geral acolhe propostas sobre quaisquer outros aspetos ligados à história ferroviária (construção de linhas, papel do Estado, legislação ferroviária, património e turismo, biografias ferroviárias, ferrovia e imperialismo/colonialismo, etc.) em diferentes contextos geográficos e cronológicos. Convidamos especialmente aqueles investigadores que se dedicam à história ferroviária fora da Península Ibérica a submeter e apresentar os seus trabalhos.